27 / 03 / 2022

Dia Mundial do Teatro: palmas para o sexagenário

Dia Mundial do Teatro: palmas para o sexagenário

Sabia que a celebração do Dia Mundial do Teatro já tem 60 anos?


Apesar de se tratar de uma forma de arte milenar, o Dia Mundial do Teatro foi celebrado pela primeira vez pelo International Theatre Institute (ITI), no dia 27 de março de 1962, sendo desde então a data assinalada anualmente, com várias iniciativas por todo o mundo.~

Uma das particularidades da celebração desta efeméride é o convite, pelo ITI, a uma figura de reconhecido mérito, para partilhar as suas reflexões sobre o tema através de uma mensagem, a Mensagem Internacional do Dia Mundial do Teatro.


Jean Cocteau e a primeira mensagem


A primeira mensagem foi escrita em 1962, por Jean Cocteau (1889-1963), poeta, romancista, dramaturgo entre outras atividades ligadas às artes, atingindo o auge da sua carreira no período entre guerras, fase de grande criatividade artística. Ligado ao movimento do Surrealismo, a sua obra influenciou muitos escritores.

Na sua mensagem, faz um paradoxo entre o hipnotizador e o dramaturgo a quem ao último, cabe convencer uma audiência, como se de um hipnotismo coletivo de tratasse, perante um desempenho sublime, a quem o sono e os sonhos trazem uma espécie de magia milagrosa, ao alcance de todas as bolsas.

A verdadeira admiração é gerada pela partilha de ideias que não sendo nossas, leva-nos a acreditar que poderíamos até ter sido os seus autores.

Segundo Jean Cocteau, o maior ator é aquele que ao representar, adequa o seu desempenho a cada indivíduo na audiência.

O Dia Mundial do Teatro assinala o momento em que o individual e o coletivo, o objetivo e o subjetivo, o consciente e o inconsciente apresentam ao mundo o que o próprio mundo produziu.


Jean Cocteau, 1950/Phillipe Halsman
Foto: Jean Cocteau, 1950/Phillipe Halsman


O Teatro como espaço de confronto entre valores e relações humanas


Outros convidados como, Luchino Visconti (1973), Eugène Ionesco (1976), John Malkovich, (2012), Isabelle Huppert (2017), Helen Mirren (2021), entre outros, evocaram nas suas mensagens o Teatro da imaginação, da liberdade, da origem, temas como o multiculturalismo e a igualdade de género, a beleza, as questões sem respostas.

Como referiu Henry Miller (1963) a “arte deve assumir a tarefa de manter unida a comunidade humana” enquanto experiência coletiva de emoções. O teatro tem a capacidade de unir culturas, de contar histórias, de iluminar audiências. É o espaço em que todos somos envolvidos – Autor / Ator / Espetador - e artistas em potência.


Dos primórdios aos nossos dias


Desde a antiguidade, o impulso criativo do homem esteve presente através da representação, como forma de expressão, nas várias manifestações de arte.

Foram vários os géneros que ao longo de séculos chegaram até aos nossos dias, como a comédia, o drama, a farsa, a tragédia, a tragicomédia, o melodrama, entre outros. Do teatro grego e as celebrações ao Deus Dionísio, ao teatro romano influenciado pelo teatro grego, passando pelo teatro medieval, de carácter religioso, ao teatro renascentista iniciado em Itália no século XV, com a Commedia Dell’Arte, ao teatro Realista, sucedendo-se ao período do Romantismo, em que os temas estão ligados ao quotidiano, às pessoas comuns.

Foram muitas as obras da literatura adaptadas ao teatro, assim como muitos os dramaturgos que escreveram e apresentaram grandes peças teatrais. Autores como Sófocles (Édipo), Maquiavel (A Mandrágora), Cervantes (Dom Quixote de la Mancha), Shakespeare (Macbeth), Molière (O Misantropo), Bertolt Brecht (A Antígona), Samuel Becket (À espera de Godot), ou Albert Camus (Os Justos), entre muitos outros.


Do teatro Vicentino ao Existencialismo?


Gil Vicente, considerado o pai do teatro literário português é uma das figuras mais reconhecidas nesta forma de arte, embora existam registos de várias manifestações - teatro litúrgico e teatro profano -, anteriores ao teatro Vicentino.

Ilustração original do
Foto: Ilustração original do "Auto da Moralidade" de Gil Vicente/Wikimedia Commons


A época de ouro da literatura portuguesa surgiu no contexto dos descobrimentos, com o surgimento de grandes obras de autores portugueses.

Já no século XIX, com o Romantismo, o teatro português tem um novo alento com Almeida Garrett, ao fundar o Conservatório de Arte Dramática, edificou o Teatro Nacional D. Maria II e organizar a Inspeção-Geral dos Teatros, contribuindo desta forma para uma nova atenção sobre a cultura em Portugal.

Após a segunda guerra mundial, autores como Alves Redol, Jorge de Sena e Bernardo Santareno, abordaram a vertente social do Existencialismo nas suas obras teatrais.


O teatro hoje


Ao longo de séculos, vasta tem sido a obra de autores e dramaturgos portugueses de reconhecido mérito nacional e internacional e muitos são hoje os grupos, as companhias e estruturas de teatro que, de forma resiliente, se mantêm “à tona, contra ventos e marés”.

Reflexo da sociedade, o teatro é a expressão artística mais próxima do ser humano, sendo os textos e as encenações portadores de valores, de formas de pensamento e de vivências de cada época representada.


Já escolheu a peça que vai ver para celebrar esta efeméride?


- Viva o Teatro!


Cristina Góis


Artigo de Cristina Góis



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